Adenor e sua paixão: 4 lições de liderança que podemos aprender com Tite

27 de Junho de 2018: o mundo inteiro fala de Adenor Leonardo Bachi.

Quem?

Talvez você não o conheça pelo nome, mas certamente o conhece como ‘Tite’.

O técnico que se preparou 17 anos para o dia de hoje vive o momento mais intenso e importante de sua vitoriosa carreira: o desafio de comandar a seleção brasileira de futebol dentro da competição mais importante do planeta.

Equipe essa que ainda lida com os fantasmas do momento mais dramático de sua honrosa história, vivenciado por todos nós há apenas 4 anos atrás. O Brasil é o mesmo, e ao mesmo tempo não é. Vivemos um paradoxo histórico ao perceber que chegamos em 2018 como candidatos ao título mesmo tendo sofrido a maior derrota de nossa história na edição anterior da copa do mundo.

Essa confiança tem nome: Adenor Leonardo Bachi, o Tite. O ex-meio campista que herdou o apelido ao ser confundido com um parceiro de equipe recuperou a confiança de um país inteiro com mais do que palavras e alguns bons jogos. A verdade é que Tite dá uma aula de liderança desde que assumiu o cargo de técnico da seleção – quiçá bem antes disso.

Assim, reunimos algumas das características demonstradas pelo filho do meio de dona Ivone durante esses dois anos para aprender, melhorar e questionar se de fato estamos sendo os melhores líderes que podemos em nossas atividades e equipes de trabalho.

Valorização da Equipe

Seis jogadores que atuaram na copa de 2014 foram convocados novamente para a copa de 2018. Dentre eles, quatro são considerados titulares no atual time de Tite: Neymar, Paulinho, Thiago Silva e Willian. Podemos chamar isso de renovação completa?

“Devemos muito ao Tite, porque ele mudou praticamente tudo” relata Marcelo. Segundo matéria de Março de 2017 do jornal El País, ao assumir o cargo o técnico ligou para o lateral e também para Thiago Silva, zagueiro que era constantemente preterido pelo treinador anterior, Dunga. O intuito era retomar a confiança dos jogadores. “Meu trabalho é potencializar a qualidade dos atletas” já afirmou o técnico.

Por outro lado, outros 16 jogadores presentes no torneio de 2014 não fazem mais parte da seleção esse ano. Novos desafios muitas vezes exigem estratégias novas e, possivelmente, pessoas novas. Qualquer que seja o caso, valorizar a equipe correta é fundamental para seu bom desempenho. É importante reter os talentos que não estão entregando seu potencial, mas também é interessante deixar a renovação acontecer para aquelas pessoas desalinhadas com o objetivo da equipe

Empresas e equipes são formadas por pessoas. A Valorização do trabalho individual impacta – e muito – no alcance, ou não, dos resultados buscados pelas empresas e equipes. Momentos pontuais de baixo desempenho não representam, necessariamente, descaso ou baixo potencial dos colaboradores. É um desafio da liderança avaliar minuciosamente cada caso para tomar decisões influenciados não somente em momentos pontuais, valorizando colaboradores importantes – mesmo em fases ruins – para não perder pessoas com potencial de entregar bons resultados.

Paixão pelo trabalho

“É um cara que gosta do que faz. Não tem outra coisa para ele que não seja futebol. É futebol 24 horas”  foram palavras proferidas pelo também ex-jogador Mauro Galvão sobre o perfil do técnico brasileiro. Uma matéria do jornalista Paulo Galdieri publicada no jornal Estadão em julho de 2012 já relatava essa paixão como “a paixão de Tite pelo futebol vai além de seus compromissos e obrigações profissionais. É parte de sua vida, seja como o técnico de um time de ponta, (…) seja de folga, entre uma caipirinha e outra ao lado da churrasqueira acompanhado dos mais chegados, contando histórias de quatro décadas no mundo da bola.”

Paixão pelo que se faz é algo importante para qualquer ser humano, ainda mais quando parte de suas atribuições é inspirar outras pessoas. Existem grandes líderes sem paixão, mas não há dúvidas de que a dita cuja gera carisma e empatia para com seus liderados. Paixão pelo trabalho é sentir-se parte e dono daquilo que faz, ter carinho e importar-se emocionalmente com o alcance de determinado objetivo, e isso faz diferença  principalmente em momentos onde é necessário ir além do comum e estabelecer novos limites.

Excelência

Tite é conhecido nos bastidores do futebol pela exigência do alto nível técnico – individual e coletivo – e físico de seus jogadores. Uma matéria do jornal Estadão publicada em Dezembro de 2017 pelo jornalista Almir Leite ressalta que o treinador “(…) cobra insistentemente. Quer sempre melhorar o desempenho.”

Isso fica ainda mais claro quando levamos em consideração o distanciamento que o técnico procura ter com questões de arbitragem, por exemplo. “[É preciso] ser efetivo. Transformar as oportunidades em gol. Continuar proporcionando muito poucas oportunidades ao adversário. Eu também estava na expectativa do primeiro jogo. Hoje, já tem foco maior, abstração maior” afirmou, após o empate contra a Suíça no primeiro jogo da copa, focando em melhorar os pontos específicos que tangenciam sua atuação.

A busca pela excelência deve ser levada em consideração em qualquer equipe de alta performance, principalmente quando seu trabalho está intimamente ligado à busca de metas ou objetivos ousados. Uma boa dica é focar naquilo que pode ser melhorado conforme o escopo de atuação do líder, nas camadas mais internas da organização.

Talvez o Brasil tenha sido prejudicado pela arbitragem – fatores externos – porém, como o treinador possui pouco ou nenhum controle sobre essa parte do jogo, busca desenvolver a qualidade de atuação da equipe – fatores internos – para, caso o cenário de influência negativa se repita, tenha o mínimo de impacto possível sobre o resultado final da partida.

Caso o Brasil estivesse goleando a Suiça por 4×0, teríamos prestado tanta atenção à arbitragem do jogo?

Persistência

Adenor ganhou seu primeiro título de relevância nacional – uma Copa do Brasil – comandando o Grêmio no dia 17 de Junho de 2001, dezessete anos atrás. Passou pela linha de frente do corinthians por três vezes. Teve passagens ruins por times grandes como Atlético Mineiro e Palmeiras e alguns sucessos pelo Internacional. A Carreira de jogador possui curta duração – aposentou-se aos 28 anos – com passagens por times de singela expressão nacional como Caxias, Portuguesa e Guarani.

Tite não possuía alto desempenho desde o ínicio. Começou sua trajetória como treinador de equipes de futebol em 1992 e demorou quase dez anos para alcançar seu primeiro título nacional. Porém, o fez. Vinte e quatro anos após o pontapé inicial, estava assumindo o cargo junto à Seleção.

Nosso treinador não desistiu. Cresceu gradativamente até ocupar a posição atual. Persistiu e ultrapassou o que parecia ser uma carreira comum. Persistência é muito importante, também, nas organizações. Isso nada tem a ver com a capacidade de mudança de direção ou adaptação à novas tendências. É relacionado ao poder de continuar buscando melhorias e visualizando cenários futuros favoráveis, mesmo que outros ainda não os vejam.

Ainda não sabemos o resultado final de tudo isso, porém, essas lições podem servir como base para auto-reflexão da nossa atuação como profissionais. Todos nós. O que podemos melhorar, e como pretendemos fazer isso? Exemplos, temos.

A cultura da sua empresa privilegia a liderança e o trabalho em equipe?

Que tal agendar um horário para fazermos uma análise e descobrir juntos?

 

Capture

 

Escrito por: Matheus Bitencourt

Diretor de Negócios e Marketing – AD&M Consultoria Empresarial

Fontes:

https://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,a-historia-do-menino-ade-que-virou-tite-por-um-equivoco-do-professor-scolari-imp-,897359

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/29/deportes/1490813834_851813.html

https://globoesporte.globo.com/futebol/selecao-brasileira/noticia/17-de-junho-17-anos-depois-brasil-estreia-em-outro-dia-para-ficar-na-historia-de-tite.ghtml

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